O verdadeiro repouso


“Jamais buscar o remédio para o esforço no repouso, mas numa atividade mais livre e mais pura”

Louis Lavelle


Costumo escutar colegas afirmando que o ritmo de trabalho é tão intenso que praticamente só sobra tempo para chegar em casa, jantar, realizar algumas atividades rápidas no lar e cair na cama, exausto. Por mais que durmam, estão sempre cansados e vivem com alto índice de stress. Esposas e filhos reclamam do pouco tempo para eles, mas o que pode fazer? Simplesmente não dá para cumprir todas as obrigações profissionais durante o horário de expediente!

Normalmente essa estória aparece quando eu indico um livro ou pergunto o que anda lendo. Essa é a resposta mais comum, não dá tempo para ler. Se utilizarmos uma planilha com os tempos de cada atividades, terá toda a razão, realmente não há tempo para um leitura. O problema talvez sejam as prioridades, ou a própria rotina que a pessoa se impõe.

Eu tenho por princípio que só trabalho fora do expediente, e principalmente fora do local de trabalho, quando absolutamente necessário. Isso quer dizer emergência. De maneira nenhuma aceito que trabalhar em casa possa se transformar em uma rotina. Pode ter certeza que se fizer a jornada de 12 horas um hábito, ela nunca baixará pois continuará recebendo tarefas pela disponibilidade que foi colocada. Não se trabalha 12 horas porque recebeu tarefas para 12 horas. Recebe-se trabalho para 12 horas porque se trabalha 12 horas.

Outra coisa, daí a citação à Lavelle, é a própria noção de repouso. Não consigo depois de um dia intenso de trabalho, daqueles que geram um nível anormal de desgaste, simplesmente me jogar na cama depois de tudo terminado e dormir. O repouso é absolutamente ilusório. Acordo cansado, como se não tivesse dormido, e isso se reflete na qualidade do trabalho do dia seguinte. Indepdendente do que aconteceu no dia, antes de dormir tenho pelo menos meia hora de leitura.

Não é um luxo, é uma necessidade. Essa leitura é fundamental para garantir a qualidade do repouso. Falo de leitura, mas o mesmo vale para as atividades livres e puras que Lavelle cita. Montar lego com os filhos, bater papo tomando café com a esposa, brincar com o cachorro, dar uma volta na padaria. Mais importante do que uma lista de atividades e uma rotina angustiante é colocar para si esses momentos e realizá-los com qualidade. Não tente fazer mil coisas ao mesmo tempo. Se só tem meia hora disponível, então realmente use-a brincando de lego com os filhos. Dedique-se de corpo e alma a essa atividade, sem celulares, sem televisão ligada para ver o jornal. No máximo uma música de fundo.

É preciso termos em mente que esse tipo de atividade não é para quando der tempo, é para ser o principal de nosso dia. O trabalho, parte importante de nossa própria evolução( e não um meio para conseguir um fim, coisa que fica para outro post), é que fica para quando der tempo. Quem tiver a coragem de experimentar vai descobrir uma coisa fabulosa.

Vai produzir mais no trabalho do que quando o colocava como prioridade, vai reduzir o nível de stress e vai estar sempre descansado.

E você, tem coragem para tentar?


Julho, 2013

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