O poder do cristianismo

Sempre que estou agitado, revoltado com as diversas situações, com o caminho que a humanidade está trilhando e paro para pensar em minha fé, para ler as mensagens cristãs, tudo se acalma e vejo despertar aquele imenso sentimento adormecido que tanto caracteriza um verdadeiro cristão, a esperança.

Quando tudo parecia perdido, quando nenhuma salvação parecia possível, os cristãos se refugiavam na maior arma que possuiam, a esperança da salvação. Foi assim desde os primeiros dias da Galiléia, no imenso martírio em Roma, nas invasões bárbaras e muçulmanas, nos totalitarismos modernos e ainda é nos dias de hoje quando a ameaça é mais sedutora e perigosa, e atende pelo nome de materialismo.

O marxista apressado _ e que nunca leu uma página de Marx _ já corre gritando: é o capitalismo! E conclui, como já escutei de um, que Jesus foi o primeiro socialista. Pois Jesus disse, dai a César o que é de César. O mundo material, a forma de governo, a organização social, nada disso o interessava. Sua pregação não era para resolver os problemas dos homens, mas para salvar sua alma. Uma das lições de Criste era que a humanidade só seria melhor quando o homem também o fosse.

Mas fez um importante alerta: ao homem sempre deveria ser preservado o direito de escolha. Ele deveria se converter e não ser convertido, deveria escolher o bem e não ser obrigado a fazer as escolhas certas. Pois acredito nisso, que o livre arbítrio é um presente que Deus deu ao homem. Talvez o maior deles.

São os atos individuais marcados pelo egoísmo e pelo orgulho que resultam em todos os males e não sistemas ou formas de organização social e não é reformando o mundo que se obterá um mundo melhor, mas pela reforma íntima de cada um. Esta é a mensagem cristã e seu verdadeiro poder.

O cristão sabe que o homem, a começar por ele mesmo, é falho e constantemente tentado pelo mal. Mas sabe, ou deveria saber, que está a seu alcance a chave para a conversão e este pode ser resumida nas três virtudes pregadas por Jesus, as virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

É uma gigantesca ilusão, fonte de incontáveis desgraças, a crença espalhada no ocidente de que pode-se obrigar um homem a ter virtudes, a se comportar de uma maneira considerada correta. O resultado é todo um estado mental que culmina no absurdo poder do estado e suas leis cada vez mais severas e espartanas, com o principal objetivo de tirar do homem o poder de fazer suas escolhas pessoais.

Chesterton já advogava que um de seus principais direitos como homem, e que nunca abriria a mão, era o de se obrigar. Pois reinvidico esse mesmo direito, o de me obrigar a ser uma pessoa melhor. Não quero que me obriguem a fazer o que sei que deveria fazer mas que por algum motivo não faço. Essa escolha é minha e indelegável. Essa mente privilegiada também afirmava que aos governos deveriam ser deixados apenas as coisas sem importância como economia, policiamento, defesa, administração da justiça, mas que as coisas realmente importantes deveriam ficar longe das mãos dos governantes, que ele resumia em escolher o cônjugue, decidir sobre o nascimento dos filhos e como educá-los. Justamente o que estamos deixando nas mãos das pessoas que menos confiamos, nos políticos!

Diante de tudo isso, o que nos resta?

A esperança cristã. A fé que o homem ainda vai aprender que amar ao próximo é o maior dos mandamentos, junto com amar a Deus, e que precisa ter compaixão pelo seu semelhante. O resultado será a verdadeira caridade, não essa de simplesmente distribuir esmolas, mas a de efetivamente colaborar para ajudar os que sofrem. 

Apenas a caridade salvará o mundo.

Ontem fui para a palestra de abertura dos estudos doutrinários da casa espírita que frequento e como sempre sai de lá bem mais tolerante e paciente. No meio da apresentação do coral me toquei de algo precioso, tudo que eu acredito, todas as minhas dúvidas, tudo que estudei só tem sentido pela chave do cristianismo. É a luz que deixa tudo claro e evidente, que me mostra sempre o caminho. Quem não entende os valores que estão associados às lições de Jesus dificilmente entenderá o que estou dizendo aqui e o mundo como realmente se apresenta. 

Infelizmente são justamente essas pessoas que estão conduzindo nossos destinos.

Não se assustem se um dia tudo isso mudar.


u© MARCOS JUNIOR 2013