A terceira tentação de Cristo


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Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.

E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.

Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. (Matheus 4:8-10)



Um dos assuntos mais interessantes da Bíblia é o das tentações de Cristo. O que significa realmente cada uma delas? Se elas representam os inimigos do espírito humano, que são eles?

Hoje assisti no youtube, em uma palestra sobre o livro Admirável Mundo Novo, uma explicação para a terceira tentação que ainda não tinha me ocorrido. Aempre a entendi como a tentação do poder, que o diabo estaria oferecendo a Jesus o poder sobre todas as nações da terra.

Guilherme Freire oferece uma outra visão. Jesus não estava interessado em reinar sobre as nações da terra e sim na salvação das almas. Por que então não usar seu poder infinito para obrigar todos a fazer o bem? Por que não suprimir do ser humano a possibilidade de fazer o mal? Em outras palavras, porque Deus permite o mal no mundo?

Essa questão é de fundamental importância e uma das principais alegações para repudiar o Deus cristão. A maldade no mundo seria a prova de sua imperfeição e portanto da sua impossibilidade, pois bastaria a vontade de Deus para que todos fossem salvos e não houvesse sofrimento na terra.

A resposta de Jesus é basicamente o primeiro mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas. O que significa? Entre outras coisas, respeitar o livre arbítrio, um atributo divino dado ao homem. E só existe livre arbítrio se for possível escolher entre o melhor e o pior. Deus não criou escravos, mas filhos. Daí a importância do simbolismo do êxodo. Moisés retira o povo hebreu da escravidão do Egito e o deserto representa todo o sofrimento que terão de passar até chegar na terra prometida. Constantemente o povo se revolta e clama que estavam melhor na terra dos Faraós. Preferem ser escravos com comida do que livres sem.

 E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera tivéssemos morrido por mão do SENHOR na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes trazido a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão. (Êxodo 16:3)

Essa é uma constante tensão no coração dos homens. Ter a liberdade de escolha significa poder falhar. Será que não trocaríamos parte desta liberdade pela certeza de acertar? Será que diante da oferta da felicidade, desde que abríssemos mão da livre escolha, não aceitaríamos com alegria? Quando penso no que estamos dispostos a abrir mão para que o governo solucione nossos problemas não posso deixar e pensar que estamos falhando miseravelmente. Estamos na verdade retornando ao Egito.


u© MARCOS JUNIOR 2013