Preço Justo - Parte III

_ Tratamos então das grandes empresas. O que caracteriza a receita da empresa.

_ O preço dos seus produtos.

_ Vamos simplificar, a empresa só fabrica um único produto, que custa R$ 20,00. O que determina sua receita?

_ O preço do seu produto.

_ Só o preço?

_ E a quantidade vendida.

_ Ou seja, temos o produto do preço pela quantidade. Correto?

_ Assim me parece.

_ Imagine que esta empresa constate que se aumentar o preço do seu produto em R$ 1,00, ou seja, para R$ 21,00, a quantidade vendida cairá em 20% pois seu produto será substituido por um do concorrente ou simplesmente comprado a menos. Ela deve efetivar o aumento?

_ Não sei dizer, parece que falta alguma informação.

_ Realmente falta, tem razão. Imagina que seu custo total é de R$ 19,00 por unidade.

_ Neste caso, ela tem lucro de R$ 1,00 por unidade vendida. Passando seu produto para R$ 21,00, seu lucro passa para R$ 2,00, um aumento de 100% por unidade vendida. Neste caso ela deve aumentar o preço pois a diminuição de unidades vendidas (20%) é compensada pelo aumento do lucro (100%).

_ E se o seu custo fosse de R 10,00?

_ Bem, seu lucro inicial era de R$ 10,00 por unidade. Com o aumento, iria para R$ 11,00 por unidade, um aumento de 10%. Nesse caso ela não deve aumentar o preço.

_ Exato, e chegamos na primeira constatação. Quanto menor a taxa de lucro, maior o incentivo para a empresa aumentar seu preço. O contrário também acontece. Quanto maior sua margem de lucro, menor o incentivo para aumentar o preço.

_ Parece-me correto.

_ O mesmo vale para redução de preço.

_ Como assim?

_ Imagine que a diminuição de R$ 1,00 no preço de venda corresponda a um aumento de 20% nas vendas. Uma empresa cujo custo seja de R$ 18,00 terá a redução de R$ 2,00 para R$ 1,00 em seu lucro se o preço passar de R$ 20,00 para R$ 19,00, ou seja, cairá para metade. Ela não tem como reduzir o preço.

_ Certamente.

_ Já a empresa com custo de R$ 10,00, terá seu lucro reduzido, por unidade, de 10,00 para 9,00, uma redução de apenas 10%. Neste caso vale a pena para ela diminuir este preço.

_ É óbvio.

_ Então chegamos a uma constatação interessante, para uma empresa com margem de lucro alta, vale a pena reduzir preços para ganhar na quantidade. A empresa com margem comprimida, o incentivo é no sentido oposto, o de aumentar seus preços pois o impacto nos lucros por unidade é maior do que na queda de quantidade vendidas.

_ Certo.

_ Ou seja, uma margem de lucro alta é um incentivo para diminuir os preços.

_ É o que parece. Mas temos um problema, e se não houver mais consumidores para comprar? De que adianta ela diminuir o preço.

_ Mas certamente que há, os consumidores do seu concorrente! Veja o caso que temos. Uma empresa produz com custo de R$ 18,00. A outra com custo de R$ 10,00. Vamos supor que dividam o mercado. A segunda empresa pode baixar seu preço para R$ 17,00 e ganhar a concorrência pois a primeira não terá condição de competir com este preço. Terá duas opções, reduzir seus custos ou sair do negócio.

_ Justamente aí temos o problema. Depois que ela sai, ela pode aumentar novamente o preço!

_ Certamente, mas sempre equilibrando o preço com a quantidade a ser vendida pois os consumidores podem simplesmente desistirem de comprar o produto se o preço ficar muito alto. É o que os economistas chamam de equilíbrio entre a oferta e a demanda. Veja que a liberdade da empresa fixar seus preços é limitada.

_ Com certeza, ela não pode fixar com total liberdade o preço. 

_ Na verdade, a coisa é ainda mais interessante. Considerando que ela quer maximizar seu lucro, ou seja, ter a maior quantidade vendida com o maior preço, sua liberdade é nenhuma. Se ela estiver sozinha em um monopólio, ela vai procurar o preço que melhor equaciona os dois fatores. Se tiver que competir, pior ainda, o preço já é dado pelo mercado e no fundo ela só vai ver se tem como competir. O processo ocorre de forma invertida, primeiro vem o preço, depois os custos.

_ Como assim?


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