Porque não se deve brigar com a verdade

No disco Clockwork Angels, do Rush, encontramos os seguintes versos na música Wreckers (destruidores).

All I know is that sometimes you have to be wary of a miracle too good to be true,

All I know is that sometimes the truth is contrary everything in life you thought you knew

All I know is that sometimes you have to be wary, ’cause sometimes the target is you


Isso resume bem o debate que vivemos hoje. Toca um dos principais guias que temos que ter em nosso pensamento, a relação com a realidade. Aquele que busca a verdade deve ter a humildade de saber que pode estar totalmente errado sobre o que acredita, e deve ser capaz de admitir o erro. Muito poucos intelectuais são capazes disso; até porque o nível de vaidade é muito grande em quem se acha superior aos outros.

Um grande exemplo da postura correta foi o de Euclides da Cunha. Durante a campanha de Canudos, como jornalista, escreveu uma série de artigos denunciando que os ingleses estavam por trás do movimento, que eram de inspiração monarquista, que tinham armas financiadas por senhores rurais dispostos a derrubar a república.

Conversando com os sobreviventes e depois de tudo que observou em Canudos, Euclides percebeu que esteve completamente errado o tempo todo. O movimento realmente era de origem messiânica e sua oposição à república era consequência de seus ideais e não de um movimento organizado para tal. O que fez o jornalista? Escreveu Os Sertões. Estava aí seu pedido de desculpas pelos erros de interpretação.

O grande Mário Vargas Llosa percebeu o que Euclides da Cunha tinha feito e não escondeu sua fascinação por um intelectual que teve a humildade de reconhecer seu erro. Resultado? Escreveu A Guerra do Fim do Mundo, produto de sua extensa pesquisa sobre Canudos.

Não por acaso o próprio Mário fez seu mea-culpa sobre a fascinação que teve por Fidel Castro, como pode ser visto em seu livro Sabres e Utopias.

Quantos intelectuais hoje são capazes de reconhecer os próprios erros? A maioria prefere morrer acreditando no que considera verdade, ignorando tudo que acontece à sua volta. Um grande exemplo é Chico Buarque, que vai morrer abraçado ao mito de Fidel, ou Saramago, que morreu abraçado à utopia comunista, a maior ceifadora de vidas da humanidade.

Aliás, boa parte das vítimas do comunismo foram comunistas, entusiasmados aliás. Isso é próprio de toda revolução e a francesa já demonstrou isso.

 All I know is that sometimes you have to be wary, ’cause sometimes the target is you.


u© MARCOS JUNIOR 2013