Caminhando com as Artes

Jorge Luis Borges afirmava que para entender um único livro era preciso ter lido mil livros. Ele queria dizer que um bom livro exige do leitor uma certa cultura geral que o permita compreender as camadas de significado que compõe uma obra. 

Um leitor só começarar a compreender e apreciar uma obra como os Irmãos Karamazov quanto tiver adquirido cultura suficiente sobre o problema da existência do mal no mundo e sua compatibilidade com a idéia de um criador perfeito. Só então poderá penetrar na profundidade e beleza do capítulo do Grande Inquisitor pois compreenderá que se trata de uma rica meditacão sobre o livre arbítrio. Caso não tenha esta cultura, fará como eu, passará as páginas com impaciência por estar diante de um texto difícil e aparentemente insignificante para enteder a narrativa.

Esta falta de cultura não impede que apreciemos uma obra de criação humana, mas nos limita na capacidade de entendê-la inteiramente e desfrutar de toda sua beleza.

Já aviso o possível leitor deste espaço. Pouco encontrará sobre best selles e lançamentos. O tipo de literatura e cinema que me é objeto deste site é justamente os que apresentam esta profundidade e referência a todo este universo cultural que nos cerca e que nada mais é que a expressão da criação humana ao longo dos séculos. O que terá aqui são visões imperfeitas de um principiante que apenas recentemente começou a prestar atenção nestas questões e estudá-las.A quem então se destina este espaço? A quem esteja começando, como eu, a seguir esta estrada em busca de conhecimento para melhor entender a nossa realidade. É um espaço para dividir percepções, refletir e auxiliar quem precisa pois se é verdade que se precisam ler mil livros para entender apenas um, é igualmente verdade que só se lê mil livros depois de ler 999, mesmo que a compreensão de cada um deles seja imperfeita e limitada. Criei este espaço para dividir o que já li e vi, do que julgo ter entendido e principalmente o que não consegui entender, para quem desejar seguir o mesmo caminho.

Por fim, quem desejar contribuir e mandar resenhas e comentários não se acanhe. Mande seu texto que iremos conversar e se estiver de acordo com estas premissas, será publicado e iniciaremos um diálogo.

Bom proveito a todos e sejam bem vindos!


Cinema

Filmes nos ensinam a ver. 

( Eric Rohmer )

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O homem vê o mundo, embora não o compreenda interiamente. Diante da perplexidade, muitos possuem a capacidade de registrar o que estão vendo através de poesias, romances, pinturas, esculturas, filmes. Este espaço do Caminhada Filosófica destina-se a dividir com o leitor a minha visão sobre as diversas obras de arte. Não sou crítico profissional, e nem pretendo sê-lo, mas todos nós de alguma forma avaliamos e tentamos entender o que estamos vendo quando diante de um belo quadro ou um romance. A arte povoa nosso imaginário de imagens e experiências que nos servirão de base para uma verdadeira reflexão filosófica, uma procura do entendimento da realidade que se apresenta aos nossos olhos todos os dias. O cineasta Eric Rohmer dizia que os filmes nos ensinam a ver. Pois acho que as artes em geral nos ensinam a imaginar e como já ensinava Aristóteles, só conseguimos raciocinar sobre os objetos de nossa imaginação. Boa leitura!


Último Review

12 Angry Men (1957)

12 angry men

Este é um filme que adoro, e já vi várias vezes. Trata-se de um filme de tribunal pouco convencional, em que se passa praticamente todo na sala do júri em tempo real. Não assistimos o julgamento, e vemos o réu apenas uma vez.

Nos filmes usuais já sabemos de antemão se o réu é culpado ou não, ou temos uma idéia formada que depois vira ao contrário. …


Literatura

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Poesia

No man is an island entire of itself; every man 

is a piece of the continent, a part of the main; 

if a clod be washed away by the sea, Europe 

is the less, as well as if a promontory were, as 

well as any manner of thy friends or of thine 

own were; any man's death diminishes me, 

because I am involved in mankind. 

And therefore never send to know for whom 

the bell tolls; it tolls for thee. .


John Donne

MEDITATION XVII

Devotions upon Emergent Occasion







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